Florbela espanca e a força por trás de seus versos



“O MUNDO QUER-ME MAL PORQUE NINGUÉM TEM ASAS COMO EU TENHO!”

Florbela Espanca é uma das minhas escritoras favoritas. Sua prosa e poesia sempre me tocaram de maneira única, tanto pela identificação com a sua temática intensa, quanto por admirar a mulher forte que se encontra por trás de versos tão melancólicos. Recentemente, li o seu “Diário do último ano” e pude compreender melhor a sua obra, seu processo criativo, suas angústias e a intenção das suas palavras.

Ela é uma escritora portuguesa, nascida em 1894, e teve uma vida bastante dolorosa. Foi alvo de duras críticas pela sociedade da época, devido aos seus três casamentos e dois divórcios – o que era considerado uma ofensa aos valores morais –, e também por ser ativa na luta feminista da época. Somado a isso, sofria de uma doença chamada neurastenia, um transtorno psicológico que afeta o sistema nervoso central, o que causa exaustão física e mental, fraqueza, nervosismo, irritabilidade e depressão.  

Texto #1

(htps://br.pinterest.com/pin/306948530836088970/)

 MOMENTOS DE SÚPLICAS DE UMA ALMA CANSADA

O relógio já marcava as três da madrugada
E a essa altura o estresse da insônia 
Já se convertia em aceitação dela própria.
E eram nesses momentos que a realidade se mostrava 
Avassaladora, imprópria e solitária.
Como vão os amigos, a família e a sociedade?
Somente com a superficialidade era possível compreender
Mas o que ela descobria nessas horas de angústia
Era que antes de si mesma já precipitadamente existia
O vazio de estar sozinha em meio a tanta vida.
A mãe que se jogou do último andar
Não aguentou a pressão de tanta mágoa a pesar.
O pai que lhe abandonou sem ao menos esperar para saber
O que, diabos, ia nascer para se tornar o que tornou.
A irmã, contudo, ainda existia
E entre quilômetros e outros tantos fugia
Dessa vida opressora!
E ela, sozinha, continuava a lutar; e a divagar
Por um caminho longo e incerto
Porque, apesar de tudo, estava lutando
Para provar a si mesma que existia paz
Onde não se imagina que há. 
E a histeria social que lhe punha louca a gritar
Escondendo toda ansiedade
Fantasiava-se como quem é forte
E esboçava alguns sorrisos. 
À medida que avança também percebia
Que no decorrer de seu trajeto 
Muita gente desistia de tentar
Ao lado dela permanecer;
Porque afinal de contas
Ela exigia para si, descortês
Instantes cada vez mais bem elaborados
Não de maneira proposital
Embora sua essência dissesse por si
Mas que sobrecarregavam todos
Que não possuíam o saber sobre o que era ser
Uma invenção boa de si mesma
Para se desprender do que causa dor
Em tentativa de se expressar com liberdade
De uma vida que em meio a tanta adversidade
Ainda não se encontrou o motivo de tê-la
E sê-la como se é colocado como dever. 
Ainda o que ela via, ouvia e sentia
Somente ela entenderia e também o porquê
Ninguém vê o que não vive
Ninguém sente o que não existe 
Ninguém entende o que se passa
E os quem negam e acusam o contrário 
São apenas lástimas renegadas buscando exaltação.
A solidão, meus caros, para ela, era muito mais
Que um simples nome, estado, momento
Configurava identidade oriunda de enorme desventura
Que não muda, não passa, não some.
Mas todas essas questões que em seu auge 
Mostravam-se instáveis 
São assunto para serem discutidos durante 
Outras noites sem sono.
Além do mais, inevitavelmente
Essas ocorrerão instantaneamente e novamente.
Mas haverá de chegar a um ponto 
Em que o sono chegará
Talvez mais duro e mais frio
Trazendo um aconchego final.
Era a esperança dessa alma vazia
Que sem jeito, suplica, para alguém que nem sabia
Poder descansar desse tormento 
Que agora se diz ser vida. 

Guilherme Augusto Lopes.


Quatro fotógrafos brilhantes

Thomas Hoepker - Portugal, 1964.
(http://adreciclarte.tumblr.com/image/155851982841)
Por ser facilmente produzida e reproduzida, há ainda quem não considera a fotografia como um tipo de arte. Mas fotografar artisticamente não é simplesmente “dar um clic”, é necessária certa sensibilidade para interpretar o mundo externo, captando uma visão única e singular, que será compreendida por quem vê. Ultimamente, tenho pesquisado mais sobre os trabalhos de alguns fotógrafos e, hoje, separei aleatoriamente quatro que passam mensagens incríveis em seus trabalhos:

Ópera: Carmen, de Georges Bizet

Fonte: https://br.pinterest.com/pin/558024210061920808/
Carmen é uma ópera maravilhosa! Foi composta pelo francês Georges Bizet, e baseada na novela de mesmo nome de Prosper Mérimée. Devido ao caráter da protagonista, considerado transgressor para a sociedade da época, a estreia rendeu duras críticas; quando reconhecida e louvada por muitos, o compositor já havia morrido. A ópera é ambientada em Sevilha, na Espanha, e conta a história do triângulo amoroso entre Carmen, uma cigana, o soldado Don José e o toureiro Escamilho.

O primeiro ato é ambientado numa praça em que se encontra uma fábrica de cigarros, onde Carmen trabalha, e um quartel, onde o cabo Don José trabalha. Ao meio-dia, na troca da guarda do quartel, as ciganas saem da fábrica, inclusive Carmen, a desejada por todos por sua beleza e sensualidade. Em seguida, no trabalho, Carmen se envolve numa confusão, e o tenente Zúniga ordena que Don José vá prendê-la, porém, ela o seduz, é solta, e o cabo é preso por isso.

#Top7 livros da literatura brasileira!


Literatura brasileira – é ruim? – não vende? - é difícil? – só pra gente culta? Não! Claro que não! Eu particularmente amo os clássicos da nossa literatura, mas entendo que muitos têm certo trauma (Óbvio! É o que acontece quando, na escola, somos forçados a ler esse tipo de livro só para fazer prova!). Porém, acho que antes de reproduzirmos discursos negativos sobre a nossa literatura, deveríamos ao menos tentar encontrar algo que nos agrade. Aqui vai uma lista com os meus sete livros favoritos da literatura nacional!